Dídimo, o Cego
Mestre da Escola de Alexandria
Dídimo (c. 313–398) perdeu a visão aos quatro anos e ainda assim tornou-se um dos homens mais eruditos do seu tempo, dirigindo a escola catequética de Alexandria. São Jerônimo e Rufino foram seus alunos. Defensor incansável da divindade do Espírito Santo contra os hereges pneumatômacos.
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Mas o Espírito Santo chamou de outro Paráclito, não segundo a diferença de natureza, mas de acordo com a diversidade de operação. Pois enquanto o Salvador exercia a função de mediador e enviado, por meio da qual como pontífice intercedia pelos nossos pecados, o Espírito Santo, conforme outro significado de Paráclito, recebeu essa denominação por consolar os que estão em aflição. Porém, não presumas naturezas distintas a partir da operação diversa do Filho e do Espírito Santo; visto que em outro lugar encontra-se o Espírito Paráclito desempenhando a função de enviado junto ao Pai, como está escrito: "O próprio Espírito intercede por nós". O Salvador também opera consolação nos corações daqueles que necessitam; pois está escrito: "E consolou os humildes do seu povo".
Ele chama Consolador ao Espírito Santo, que há de vir, impondo-lhe este nome pela sua operação; porquanto não somente livra de toda perturbação àqueles a quem encontra dignos de Si, mas também lhes infunde um gozo indescritível; pois a alegria sempiterna habita no coração daqueles que têm o Espírito Santo como morador. Este Espírito Consolador é enviado pelo Filho, não segundo o ministério dos Anjos, ou dos profetas, ou dos apóstolos, mas como convém que seja enviado pela sabedoria e poder o Espírito de Deus, que possui natureza indivisível com a mesma sabedoria e poder. De fato, o Filho enviado pelo Pai não se separa nem se aparta Dele, permanecendo Nele e tendo-O em Si mesmo. Este Espírito Santo, enviado pelo Filho da maneira sobredita, procede do Pai, não migrando de um lugar para outro. Pois assim como o Pai não reside em um lugar, estando além de toda natureza corpórea, também o Espírito da verdade de modo algum está limitado pelos confins dos lugares, por ser incorpóreo e exceder toda a essência das criaturas.
Ou diz isto porque os ouvintes de suas palavras ainda não haviam conseguido todas as coisas que depois poderiam suportar por causa do seu nome; mas revelando-lhes algumas coisas, adiou para depois aquelas que eram maiores; as quais não podiam compreender então, a menos que primeiro o magistério e a forma da cruz precedesse em nossa cabeça. Ainda servindo ao tipo da lei, às sombras e às imagens, não podiam contemplar a verdade, cuja sombra a lei portava. Mas quando vier o Espírito de verdade, vos conduzirá a toda a verdade com sua doutrina e instituição, transferindo-vos da morte da letra para o Espírito vivificante, no qual unicamente está colocada toda a verdade da Escritura.
Ainda que possa existir alguém de coração tão duro como pedra, por assim dizer, e completamente alienado da mente, que tente batizar omitindo algum dos nomes mencionados, colocando-se assim contrário a Cristo legislador; no entanto, batizará sem perfeição, e não poderá, de forma alguma, libertar dos pecados aqueles que ele julgar ter batizado. A partir disso, conclui-se quão indivisível é a substância da Trindade, e que o Pai é verdadeiramente Pai do Filho, e o Filho é verdadeiramente Filho do Pai, e o Espírito Santo é verdadeiramente o Espírito do Pai e do Filho de Deus, e também o Espírito da sabedoria e da verdade, isto é, do Filho de Deus. Esta é a salvação dos que creem, e nesta Trindade se realiza a perfeita ordenação da disciplina eclesiástica.