Diodoro de Tarso
Voz da tradição patrística presente na Catena Aurea (séc. IV). Biografia em preparação.
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O pecado estava no mundo antes que viesse a lei de Moisés, e era contado, ainda que não segundo essa lei. Antes, era contado segundo a lei da natureza, pela qual aprendemos a distinguir o bem do mal. Esta era a lei da qual Paulo falou acima.
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Adão foi figura de Cristo não quanto ao seu pecado ou à sua justiça — nesse aspecto os dois homens eram opostos — mas quanto aos efeitos do que ele fez. Pois, assim como o pecado de Adão se espalhou a todos os homens, também a vida de Cristo se espalhou a todos os homens. Adão foi figura de Cristo também em outro aspecto. Pois, assim como ele era a cabeça de Eva, por ser seu marido, também Cristo, sendo o Esposo da Igreja, é a cabeça dela.
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À primeira vista pode parecer que este versículo contradiz o que Paulo disse [no versículo] acima, pois ali ele falou da morte ter vindo sobre toda a humanidade, ao passo que aqui diz apenas que muitos morreram. Na verdade não há contradição alguma, porque a morte, embora tenha vindo sobre todos porque todos pecamos, veio apenas para provar e experimentar a cada um. A morte não destrói automaticamente todos os pecadores, mas apenas aqueles que perseveram em seus pecados. Ao dizer que "muitos morreram", Paulo mostra tão somente que muitos se revelaram impenitentes em seus pecados.
Paulo quer dizer que foi por causa do pecado de Adão, embora fosse um só, que Deus condenou a muitos, em razão de terem eles copiado a Adão. Mas a graça do Senhor não foi medida segundo aquele único pecado, e sim segundo os muitos pecados que todos haviam cometido. Assim, Cristo transformou muitos pecados em justiça.
Qual foi o pecado de Adão? A desobediência. Qual foi a justiça de Cristo? A obediência, pela qual obedeceu ao Pai em sua encarnação e em seu sofrimento pela humanidade, como diz o apóstolo: "E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." Assim a obediência venceu a desobediência, e o pior foi condenado pelo melhor.
Paulo não quer dizer que a lei aumentou a incidência do pecado, mas antes que, uma vez dada, ela descobriu o pecado e mostrou que este era mais difundido do que se pensava.
Aqueles que foram validamente batizados na morte de Cristo foram unidos a Ele pela fé.
Diz Paulo que, se Cristo tivesse morrido pelos pecadores duas ou três vezes, não haveria perigo em retornarmos aos nossos antigos caminhos pecaminosos. Mas, como Ele morreu uma só vez, nós, que fomos sepultados e ressuscitados juntamente com Ele, não morreremos novamente para o pecado. Não haverá segundo batismo, nem segunda morte de Cristo. Portanto, devemos ter o cuidado de permanecer vivos.
Que pecado é este? O pecado cometido antes do batismo, evidentemente.
É evidente, a partir de Romanos, que mesmo sem a lei os gentios sabiam o que lhes era exigido. Deve-se, portanto, admitir que eles sabiam, ainda que não soubessem tudo. Pois há coisas que alguns gentios consideram boas e corretas, ao passo que outros as rejeitam como más e ilícitas. Por isso, foi necessário o dom da lei para definir-nos o que se deve e o que não se deve fazer, delineando-nos e mostrando-nos qual é o comportamento do homem justo.
Por "pecado", Paulo presumivelmente entende o diabo. Pois, assim como a Escritura por vezes chama o Salvador de "vida" e "justiça", porque Ele é a fonte da vida e da justiça, assim também chama o poder oposto pelo que ele causa — ora "pecado", ora "mentira", ora "morte".
Se o pecado "reviveu", é claro que devia ter estado vivo em algum momento anterior e então morrido. Quando foi isso? Foi quando o diabo enganou e derrotou a Adão, o qual recebera o mandamento e sabia o que significava a transgressão. Também Caim sabia que estava pecando, tendo sido ordenado a não matar o seu irmão. Foi depois disso que não houve mandamento nem lei, e assim o pecado foi derrubado pela ignorância daqueles que o cometiam.
"A lei é espiritual e torna espiritual também aquele que a guarda. Foi dada pelo Espírito Santo, a fim de que os que lhe obedecessem recebessem o Espírito e fossem purificados pelo ensino da lei. Paulo não foi vendido sob o pecado por obra de outrem, mas pela própria transgressão da lei."
"Paulo não se condena aqui a si mesmo, mas descreve a sorte comum da humanidade, que vê refletida em si próprio."
Aqui Paulo descreve a sorte comum do homem. Pois o homem comum pode ver em sua mente o que deve ser feito, mas não consegue realizá-lo. Já o homem que creu em Cristo com a mente pode realizá-lo com o auxílio do Espírito Santo. Tal homem é, por isso, chamado "espiritual".
Mostra Paulo aqui que os que estão sob a lei, porque vivem segundo a carne, estão sob o pecado e a condenação. Mas os que estão em Cristo não estão sob condenação, porque não andam segundo a carne.
Tendo já mencionado o Espírito de Cristo, Paulo refere-se a ele mais uma vez, chamando-o de "o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos". Ao dizer que o Espírito de Cristo é também o Espírito do Pai, Paulo ensina claramente que o Espírito do Filho participa da divindade do Pai, e que o poder de ambos é um só, porquanto compartilham da mesma essência do Pai.
Na realidade, o espírito de escravidão e o espírito de filiação eram um só e mesmo Espírito, dado aos homens segundo o que mereciam, seja para o bem, seja para o mal.
Paulo mostrou, com isto, que chamava "espírito" à alma quando esta era espiritual, e "Espírito" ao dom do Espírito.
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Aqui, "sofrer com Ele" não significa que devamos compadecer-nos e vir em auxílio do que sofre, como costuma significar na linguagem cotidiana. Cristo não sofreu para atrair atenção, nem suportou a fraqueza para obter a compaixão dos que se condoíam dEle. Sofrer com Cristo significa suportar os mesmos sofrimentos que Ele foi forçado a padecer da parte dos judeus por pregar o evangelho... Se sofremos com Ele, seremos dignos de ser também glorificados com Ele. Esta glória é a recompensa dos nossos sofrimentos e não deve ser considerada um dom gratuito. O dom gratuito é que recebemos a remissão dos nossos pecados anteriores.
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As Escrituras frequentemente sugerem que a criação visível é animada e que o universo possui uma sensibilidade racional.
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Este texto não suprime nosso livre-arbítrio. Emprega a palavra presciência antes de predestinação. Ora, é claro que a "presciência" não impõe por si mesma nenhum tipo particular de comportamento. O que aqui se diz ficaria mais claro se partíssemos do fim e retrocedêssemos. A quem Deus glorificou? Àqueles a quem justificou. A quem predestinou? Àqueles que presciente conheceu de antemão, que foram chamados segundo Seu plano, isto é, que demonstraram ser dignos de serem chamados segundo Seu plano e conformados a Cristo.
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Visto que as promessas que haviam sido dadas aos judeus foram transferidas aos gentios, Paulo quis evitar a acusação de que Deus houvesse faltado às suas promessas, e assim demonstra como Deus permanece fiel. As Escrituras deixam claro que não foram os que eram israelitas segundo a carne, mas os que, por sua piedade, mostraram-se dignos de ser israelitas, os que foram chamados filhos de Abraão.
Paulo quer dizer que não são filhos de Abraão os que o são segundo a carne, mas os que o são segundo a promessa, os que são piedosos e justos, aqueles que Deus, segundo Sua presciência, prometeu que seriam filhos de Abraão, assim como Isaac foi feito justo pela promessa.
Deus não é injusto simplesmente porque não dá a todos o que merecem.
Não ouses condenar a Deus, nem imagines que Ele tenha mostrado misericórdia a um e endurecido outro por acaso, pois foi segundo o poder de sua presciência que Ele deu a cada um o que lhe era devido. Nem por isso Ele é culpado por ter conhecido de antemão o que haveria de acontecer; antes, cada um daqueles que assim foi previamente conhecido é responsável por seus próprios atos, sejam bons ou maus.
Diz Paulo que o homem que cumprisse a lei havia de gozar dos bens por ela prometidos, a saber, "uma terra que mana leite e mel".
O Verbo de Deus não deixa os fiéis em nenhuma dúvida, seja quanto à descida do Senhor desde o céu por amor de nós, seja quanto à ressurreição dentre os mortos e à ascensão ao céu.
Depreende-se do estender das mãos que Deus chama o povo a si. É também um sinal que aponta para a forma da cruz.
Temendo, uma vez mais, que exagerar a rejeição dos judeus pudesse conduzir à escolha da desobediência, Paulo volta-se para o pequeno resto da eleição — os apóstolos e seus companheiros na fé.
Paulo toma estas palavras de Elias e as aplica, por analogia, ao Salvador, visto que apenas um resto obteve a graça da promessa.
A graça manifesta o amor à humanidade daquele que a concede, ao passo que as obras exigem retribuição segundo o que valem.
Que buscava Israel? A promessa de que seriam feitos filhos e herdeiros do universo.
"Primícias" e "raiz" referem-se aqui igualmente aos patriarcas, ao legislador e aos profetas. "Massa" e "ramos" referem-se a todo o povo judeu.
Que significa dizer que «todo o Israel será salvo»? Assim como dizemos que o mundo inteiro e todas as nações estão sendo salvos, porque em toda parte e entre todas as nações há os que estão vindo à fé, assim também «todo o Israel será salvo» não significa que cada um deles o será, mas que, ou aqueles que foram compreendidos por Elias, ou aqueles que estão espalhados por todo o mundo, um dia virão à fé.
"Profecia" designa primariamente a explicação das coisas que são obscuras, sejam futuras ou passadas, sejam presentes ou ocultas. "Profecia" pode também referir-se à interpretação das palavras de um profeta.
"Exortação" designa o tipo de sermão pelo qual chamamos à fé em Cristo aqueles que ainda estão na ignorância. Não expomos, nesse momento, o pleno sentido da vida cristã, mas lhes damos a esperança de que, se crerem em Cristo, hão de gozar das bênçãos eternas.
O que se pretende aqui é que honremos os santos e cuidemos de suas necessidades até que já não as tenham.
Paulo emprega a palavra ira para descrever o castigo de Deus, não porque haja em Deus alguma espécie de paixão, mas porque os homens dificilmente compreenderiam o juízo de Deus se não o ouvissem comparado à ira. Pois, como os homens respondem com ira e cólera aos que pecam contra eles, a Escritura usa as mesmas palavras para descrever a reação de Deus, a fim de que o homem comum possa ouvi-la e compreendê-la.
Paulo não está sugerindo que façamos algo iníquo; ao contrário, está sábia e habilmente contendo e refreando a violência daquele que se ira.
O livro dos Provérbios nos ensina que os reis não chegam a reinar à parte da disposição e da vontade de Deus: "Por mim reinam os reis, e os príncipes decretam justiça."
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Aqueles que desobedecem ao rei cometeram um crime e serão submetidos ao juízo.
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Quando compreendemos quais são as vantagens das boas obras, a mensagem da salvação tornou-se mais fácil de entender do que era quando primeiro cremos. Pois, quando cremos em Cristo, não adquirimos imediatamente um entendimento exato do que devíamos fazer, nem nos era claro o que devíamos deixar de fazer e o que devíamos continuar a fazer.
O "dia" é o tempo desta vida que nos resta, no qual podemos praticar boas obras. A "noite" é o porvir, no qual já não será possível trabalhar. Então jazeremos nas trevas, tendo perdido a oportunidade de praticar boas obras.
Isto significa que devemos imitar a Cristo em nossas obras e mostrá-Lo aos outros pelo modo como nos comportamos.
Servo de Cristo é todo aquele a quem Cristo acolheu. Já não está, então, sob a lei. Quem és tu, pois, para julgar alguém pela lei, sendo ele estranho a ela? Comentário Paulino da Igreja Grega.
Isto significa que nada é comum ou imundo quando comido com fé em Cristo.
Paulo não procurava evitar os demais apóstolos, mas julgava errado e injusto usurpar o crédito por aquilo que outrem já havia feito.