Rufino de Aquileia
Voz da tradição patrística presente na Catena Aurea (séc. IV–V). Biografia em preparação.
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Ele é o Filho único de Deus, nosso Senhor. Pois nasce Um de Um, porque há um só fulgor de luz, e há uma só palavra do entendimento. Tampouco a geração incorpórea degenera em número plural, nem sofre divisão. Aquele que nasce não é de modo algum separado daquele que dá a vida. Ele é o um e único, o unigênito. Ele é para a mente o que o pensamento é, para o sábio o que a sabedoria é, para o entendimento o que a palavra é, para o valente o que o valor é. Assim como o Pai é dito pelo Apóstolo "o único sábio", assim também o Filho, unicamente, é chamado sabedoria. Ele é, pois, o "Filho único". Em glória, eternidade, virtude, domínio, poder, ele é o que o Pai é. Contudo, ele possui todas estas coisas não de modo ingênito, como o Pai, mas do Pai, enquanto Filho, sem princípio e igual. Embora seja a cabeça de todas as coisas, o Pai, contudo, é a sua cabeça. Pois assim está escrito: "A cabeça de Cristo é Deus". Comentário ao Símbolo dos Apóstolos
Que os justos hão de permanecer sempre com Cristo, nosso Senhor, já o demonstramos. Foi aí que mostramos que o apóstolo diz: "Então nós, os que estivermos vivos e permanecermos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, ao encontro de Cristo nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." E não vos admireis de que a carne dos santos há de ser transformada, na ressurreição, em condição tão gloriosa a ponto de ser arrebatada ao encontro de Deus, suspensa nas nuvens e conduzida pelos ares. Com efeito, o mesmo apóstolo, expondo as grandes coisas que Deus concede aos que O amam, diz: "Ele que transformará o nosso corpo vil, para ser conforme o Seu corpo glorioso." Não é, pois, de modo algum absurdo que se diga que os corpos dos santos serão elevados aos ares, visto que se diz que são renovados à imagem do corpo de Cristo, o qual está assentado à direita de Deus. Comentário ao Símbolo dos Apóstolos
eis o leão. a morte de Cristo assinalou a derrota e o triunfo sobre os demônios. Com efeito, o nosso Leão capturara toda a presa que o leão inimigo conquistara depois de destruir e esmagar o homem. Então, ao retornar do inferno e ascender ao alto, fez cativo o próprio cativeiro. Por isso, em seu sono, o Leão venceu e derrotou todo mal, e destruiu aquele que tinha o poder da morte. (Bênção dos Patriarcas 1.6)
Isto também confirma a verdade desta nossa confissão: que, sendo a própria carne natural, e nenhuma outra, aquela que há de ressuscitar, ela ressuscitará, contudo, purgada de suas faltas e havendo despojado sua corrupção, de modo que é verdadeiro o dito do apóstolo: "Semeia-se em corrupção, ressuscitará em incorrupção; semeia-se em desonra, ressuscitará em glória; semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual" (1 Cor 15,42-44). Sendo, pois, corpo espiritual, e glorioso, e incorruptível, será provido e ornado de seus próprios membros, e não de membros tomados alhures, segundo aquela gloriosa imagem da qual Cristo é proposto como tipo perpétuo... [de fato], no que concerne à nossa esperança da ressurreição, Cristo é proposto em tudo como arquétipo, visto que é o primogênito dentre os que ressuscitam, e visto que é a cabeça de toda criatura.
E no Comentário à Epístola de Paulo a Filemom, no lugar em que Jerônimo diz "Epafras, meu companheiro de cativeiro, vos saúda", diz ele um pouco adiante: "É possível, contudo, como pensam alguns, que se nos proponha um sentido mais recôndito e misterioso, a saber, que os dois companheiros foram capturados, acorrentados e trazidos a este vale de lágrimas."