São Cirilo de Jerusalém
Voz da tradição patrística presente na Catena Aurea (séc. IV). Biografia em preparação.
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Dizemos "um" para deter quem quer que sonhe que pudesse haver outro. Dizemos "um" para que não ouças falar de sua obra sob nomes multiformes.
Em toda parte o Salvador se faz "tudo para todos". Para o faminto, pão; para o sedento, água; para o morto, ressurreição; para o enfermo, médico; para os pecadores, redenção.
Ali Moisés foi enviado por Deus ao Egito; aqui Cristo foi enviado pelo Pai ao mundo. A missão de Moisés era conduzir para fora do Egito um povo perseguido; a de Cristo era resgatar todos os povos do mundo que estavam sob a tirania do pecado. Ali o sangue de um cordeiro era o encantamento contra o destruidor; aqui, o sangue do Cordeiro imaculado, Jesus Cristo, é constituído vosso santuário inviolável contra os demônios.
Porquanto, assim como o pão e o vinho da Eucaristia, antes da santa invocação da adorável Trindade, eram pão e vinho comuns, ao passo que, depois da invocação, o pão se torna o corpo de Cristo e o vinho se torna o seu sangue, assim também estes alimentos da pompa de Satanás, embora de sua própria natureza sejam alimento comum, tornam-se profanos pela invocação dos espíritos malignos.
A Cabeça padeceu no "lugar da caveira". Ó grande e profética denominação! O próprio nome quase te adverte a não pensar no crucificado como mero homem. Ele é a cabeça de todo principado e potestade. A Cabeça que foi crucificada é a Cabeça de todo poder.
O ensinamento do bem-aventurado Paulo basta por si só para dar-vos plena certeza acerca dos divinos mistérios, pela admissão aos quais vos tornastes um só corpo e sangue com Cristo... . Quando o próprio Mestre disse expressamente do pão: "Isto é o meu corpo", ousará ainda alguém duvidar? Quando Ele mesmo é nossa garantia, dizendo: "Isto é o meu sangue", quem jamais vacilará e dirá que não é o seu sangue? ... Com perfeita confiança, pois, participamos do corpo e do sangue de Cristo. Sobre os Mistérios, Quarta Catequese
O Espírito Santo se adapta a cada pessoa. Ele vê as disposições de cada um. Ele penetra em nosso raciocínio e em nossa consciência, naquilo que dizemos, naquilo que pensamos, naquilo que cremos.
Esta fé, que é dada pelo Espírito como graça, não é apenas fé doutrinal, mas uma fé que capacita para operações que superam a natureza humana, uma fé que move montanhas... Pois, assim como um grão de mostarda é de pequeno volume, mas de explosiva energia, ocupando um espaço ínfimo para o seu plantio, e depois enviando por todo o redor grandes ramos, de modo que, quando cresce, pode dar abrigo às aves — assim também, de modo semelhante, a fé presente na alma realiza as maiores coisas pela mais sumária decisão. Pois quem assim é, põe diante de sua mente o pensamento de Deus e, na medida em que o esclarecimento da fé o permite, contempla a Deus. Sua mente também percorre o mundo de um extremo a outro, e, não havendo ainda chegado o fim deste século, já contempla o juízo, e a concessão das recompensas prometidas.
Uma só e mesma chuva desce sobre todo o mundo, e contudo se torna branca no lírio, vermelha na rosa, purpúrea nas violetas e nos jacintos, diversa e multicolorida nas múltiplas espécies. Assim é uma coisa na palmeira e outra na videira, e tudo em todas as coisas, ainda que seja uniforme e não varie em si mesma. Pois a chuva não muda, descendo ora como uma coisa ora como outra, mas se adapta àquilo que a recebe e se torna o que é conveniente a cada um. Semelhantemente o Espírito Santo, sendo Um e de uma só natureza e indivisível, reparte a cada um a sua graça "assim como Ele quer". A árvore seca, quando regada, produz rebentos. Assim também a alma em pecado, uma vez tornada digna, pelo arrependimento, da graça do Espírito Santo, floresce em justiça. Ainda que o Espírito seja um em natureza, contudo, pela vontade de Deus e em nome do Filho, Ele produz muitos efeitos virtuosos. Pois emprega a língua de um para a sabedoria, ilumina a alma de outro pela profecia, a outro concede o poder de expulsar demônios, a outro o dom de interpretar as sagradas Escrituras. Fortalece a temperança de um enquanto ensina a outro a natureza da esmola, e ainda a outro a jejuar e humilhar-se, e a outro a desprezar as coisas do corpo. A outro prepara para o martírio. Age diferentemente em pessoas diferentes, ainda que Ele mesmo não seja diverso.
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Afirmemos do Espírito Santo somente o que está escrito. Não nos ocupemos com o que não está escrito. O Espírito Santo é o autor das Escrituras. Falou de Si mesmo tudo o que quis, ou tudo o que pudéssemos compreender. Limitemo-nos ao que Ele disse, pois é temerário proceder de outro modo.
Desejo ver o zelo de cada homem e a devoção de cada mulher. Queimai a impiedade de vossa mente, ponde vossa alma sobre a bigorna e vossa obstinada infidelidade sob o martelo... Que se abra então a porta do paraíso a cada homem e a cada mulher entre vós.
A iniquidade dos pecadores não foi tão grande quanto a justiça Daquele que morreu por eles. Os pecados que cometemos não foram tão grandes quanto a justiça que ele encarnou, quando entregou sua vida por nós.
«Ele apareceu a Cefas; e depois aos doze.» Portanto, se duvidas de uma testemunha, tens doze testemunhas. «Depois foi visto de uma só vez por mais de quinhentas pessoas» — se duvidas dos doze, ouve então os quinhentos. «Depois disso, foi visto por Tiago», seu próprio irmão e primeiro bispo desta diocese [de Jerusalém]. Visto que tão insigne bispo foi julgado digno de ver o Cristo ressuscitado, juntamente com os demais discípulos, não duvides. Mas poderás dizer que seu irmão era testemunha suspeita. Prossegue, então, dizendo: «Fui visto por mim.» Mas quem sou eu? Sou Paulo, seu inimigo! «Outrora fui perseguidor», mas agora anuncio o evangelho da ressurreição.
Se a cruz é uma ilusão, a ressurreição é também uma ilusão, e "se Cristo não ressuscitou, ainda estamos em nossos pecados". Se a cruz é uma ilusão, a ascensão é também uma ilusão, e tudo, enfim, se torna inconsistente.
Este corpo há de ressuscitar, mas não em sua presente fraqueza. Ressuscitará este mesmo corpo, mas, despojando-se da corrupção, será transformado, assim como o ferro se torna fogo ao unir-se ao fogo, segundo sabe o Senhor que nos ressuscita. Este corpo, portanto, há de ressuscitar, mas não permanecerá em sua condição presente, e sim como corpo eterno. Já não necessitará, como agora, de alimento para a vida, nem de degraus para a sua ascensão. Tornar-se-á espiritual, coisa maravilhosa, que supera toda descrição.
Dizem alguns que, uma vez postos os seus inimigos debaixo dos seus pés, Ele já não será rei — coisa má e néscia de se dizer. Pois, se Ele já é rei antes de haver finalmente vencido os seus inimigos, não haverá de sê-lo tanto mais quando os tiver completamente subjugado? Catequeses
São eles também um "céu", "trazendo a semelhança do homem celestial", visto que Deus habita neles e com eles se mistura.
Ao ser ressuscitado o mesmo e idêntico corpo, será transformado pelo revestimento da incorrupção, como o ferro exposto ao fogo se torna incandescente. Isto se dá de modo conhecido somente ao Senhor que ressuscita os mortos.
Pois, como os filhos são participantes da carne e do sangue, também Ele igualmente participou dos mesmos (Hb 2,14), para que, feitos partícipes da sua presença na carne, fôssemos também feitos partícipes da sua graça divina: assim foi Jesus batizado, para que por essa participação recebêssemos de novo tanto a salvação quanto a honra. Segundo Jó, havia nas águas o dragão que sorve o Jordão para dentro de sua boca (Jó 40,23). Sendo, pois, necessário quebrar em pedaços as cabeças do dragão (Sl 74,14), Ele desceu e amarrou o forte nas águas, para que recebêssemos poder para pisar sobre serpentes e escorpiões (Lc 10,19). A besta era grande e terrível. Nenhuma embarcação de pesca era capaz de suportar sequer uma escama de sua cauda (Jó 40,26): a destruição corria à sua frente (Jó 41,13), devastando tudo quanto lhe saía ao encontro. A Vida o enfrentou, para que a boca da Morte fosse doravante tapada, e todos nós, os que somos salvos, pudéssemos dizer: Ó morte, onde está o teu aguilhão? Ó sepulcro, onde está a tua vitória? (1 Cor 15,55). O aguilhão da morte é afogado pelo Batismo. — "Catequeses 3, Capítulo 11."
O batismo destrói o aguilhão da morte. Pois desces à água carregado de teus pecados. Mas a invocação da graça faz com que tua alma receba este selo, e depois disso ela não te permite ser tragado pelo temível dragão. Desces "morto, na verdade, pelo pecado", e sobes "vivo para a justiça".
Neste ponto de meu discurso, confesso meu espanto ante a sábia disposição do Espírito Santo, que limitou a um pequeno número as epístolas dos demais, mas concedeu a Paulo, o antigo perseguidor, a graça de escrever quatorze. Não foi porque Pedro e João fossem inferiores a Paulo que Ele lhes reteve o dom — longe esteja tal pensamento! — mas para que sua doutrina estivesse além de toda dúvida, concedeu Ele ao antigo inimigo e perseguidor a graça de escrever mais, a fim de que todos nós fôssemos confirmados na fé. Com efeito, todos se admiravam de Paulo e diziam: "Não é este aquele que outrora assolava" e "que veio aqui com o propósito de nos levar presos a Jerusalém?" Não vos admireis, diz Paulo: "Sei que 'é duro para mim recalcitrar contra o aguilhão'. Sei que 'não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus', mas 'agi ignorantemente'. Pois considerava a pregação de Cristo como a destruição da lei, porquanto não sabia que Ele viera 'para cumprir a lei, não para destruí-la'. Mas 'a graça de nosso Senhor superabundou em mim além de toda medida'."
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Não te admires de que o mundo inteiro tenha sido redimido, pois não foi mero homem, mas o Filho Unigênito de Deus, quem por ele morreu. O pecado de um só homem, Adão, bastou para trazer a morte ao mundo; se pela ofensa de um só homem a morte reinou sobre o mundo, por que não há de reinar antes a vida "pela justiça de um só"? Se Adão e Eva foram lançados fora do paraíso por causa da árvore de que comeram, não hão de entrar os crentes mais facilmente no paraíso por causa da Árvore de Jesus? Se o primeiro homem, formado da terra, trouxe a morte universal, não há de Aquele que o formou, sendo Ele a Vida, trazer a vida eterna? Se Finéias, por seu zelo em matar o malfeitor, aplacou a ira de Deus, não há de Jesus, que a nenhum outro matou, mas "deu-Se a Si mesmo em resgate por todos", tirar a ira de Deus contra o homem? Catequeses
Não permitas que os casados uma só vez desprezem os que se uniram em segundas núpcias. Pois a continência é coisa boa e admirável. Mas pode-se perdoar aos que contraem um segundo matrimônio, para que a fraqueza não resulte em fornicação.
"Porque, desde o nascer do sol até o seu ocaso, grande é o meu nome entre as nações." É desta santa Igreja Católica que Paulo escreve a Timóteo…. Chama à Igreja "coluna e fundamento da verdade".
Que o Espírito Santo subsiste, vive, fala e predisse, já vo-lo disse repetidas vezes em ocasiões anteriores. Paulo escreve claramente a Timóteo: "Ora, o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, alguns se apartarão da fé." Isto o vemos nas facções dos tempos passados e em nossos próprios dias. Quão diversos e multiformes são os erros dos hereges!
Não abomineis as carnes como se fossem tabu. O apóstolo evidentemente conhecia gente assim, pois diz que há aqueles "que proíbem casar-se e mandam abster-se de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças pelos que creem." Se, portanto, vos abstiverdes dessas coisas, que não seja como de coisas abomináveis, ou perdereis a recompensa, mas como coisas boas que são transcendidas, na busca das mais belas recompensas espirituais que vos são propostas.
Pois aqueles que na aparência são ricos, ainda que possuam muitos bens, são todavia pobres de alma. Quanto mais acumulam, tanto mais se consomem de desejo por aquilo de que carecem. Mas o crente, paradoxalmente, é rico mesmo quando pobre. Sabendo que de nada precisamos senão de vestimenta e alimento, e contentando-se com estes, ele calcou as riquezas sob os pés.
Tenho ainda muitos outros testemunhos da Sagrada Escritura de que o reino de Cristo perdura por todas as eras. Mas contentar-me-ei com o que disse, porque o dia se vai adiantando. E vós, meus ouvintes, adorai a ele somente como rei, e fugi de toda heresia extraviada... Fugi do falso Cristo, e buscai o verdadeiro. Fostes ensinados o caminho para estar entre aqueles à sua direita no juízo. Guardai "o que vos foi confiado" acerca de Cristo, e adornai-vos de boas obras. Assim estareis com bom ânimo diante do Juiz e, depois, herdareis o reino dos céus.
Ora, a vida que é verdadeira e realmente vida é Deus Pai, fonte da vida, que derrama seus dons celestiais sobre todas as suas criaturas através do Filho e no Espírito Santo, e as bênçãos da vida eterna são fielmente prometidas até mesmo a nós, homens, por causa do Seu amor para conosco. Não deve haver incredulidade acerca da possibilidade disso. Pois devemos crer, porquanto nossa mente deve estar fixada em Seu poder, e não em nossa fraqueza. Porque tudo é possível a Deus, e que a nossa vida eterna é possível e há de ser por nós esperada, mostra-o Daniel quando diz: "os entendidos... entre os muitos justos, resplandecerão como as estrelas para todo o sempre." E Paulo diz: "E assim estaremos sempre com o Senhor." Pois "estar sempre com o Senhor" significa o mesmo que vida eterna.
"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo." Pois, no pensamento acerca de Deus, esteja incluído o pensamento acerca do Pai, de modo que a glória que atribuímos ao Pai e ao Filho com o Espírito Santo seja perfeitamente livre de diferença. Porque o Pai não tem uma glória e o Filho outra, mas a glória de ambos é uma só e a mesma, visto que o Filho é o unigênito do Pai. Quando o Pai é glorificado, o Filho partilha do gozo de sua glória, porquanto o Filho extrai sua glória da honra prestada ao Pai. Novamente, sempre que o Filho é glorificado, o Pai de tão excelente Filho é grandemente honrado.
Para percebermos que Paulo foi cheio do Espírito Santo, e com ele todos os apóstolos, e todos quantos depois deles creem no Pai, no Filho e no Espírito Santo, atentemos às palavras claras do próprio Paulo. … "Deus, que também nos selou com o seu selo e nos deu o Espírito como penhor."
"Até o dia de hoje" significa não apenas até o tempo de Paulo, mas também até o nosso tempo, e, na verdade, até o fim do mundo.
O mal imita a respeitabilidade, e o joio se esforça por parecer trigo; mas por mais que se assemelhe ao trigo na aparência, o sabor desengana por completo aos que têm discernimento. Até o próprio diabo "se transforma em anjo de luz", não porque pretenda ascender de novo ao seu antigo lugar (pois possui um coração duro como bigorna e não tem intenção alguma de jamais arrepender-se), mas para enredar em trevas cegantes aqueles que vivem a vida angélica e infestá-los de uma condição de infidelidade. Há muitos lobos que andam "vestidos de peles de ovelhas", mas, ainda que trajem as peles do cordeiro, possuem, não obstante, garras e dentes. Envolvem-se na pele da mansa criatura e, com este disfarce, enganam os inocentes, tão somente para inocular com seus dentes o veneno mortífero de sua irreligião. Necessitamos, portanto, da graça de Deus, de uma mente sóbria e de olhos vigilantes, para não comer joio por trigo e sofrer dano por ignorância; para não tomar o lobo por ovelha e sermos devastados; e para não tomar o diabo, portador da morte, por um anjo bom, e sermos devorados.
Elias foi arrebatado somente ao céu, mas Paulo ao céu e ao paraíso (pois convinha que os discípulos de Jesus recebessem graça mais multiforme) e "ouviu palavras secretas que ao homem não é lícito repetir". Mas Paulo desceu novamente do céu, não porque fosse indigno de permanecer no terceiro céu, mas depois de haver gozado de dons que excedem a sorte humana.
Tal é o relato de Paulo. E já chegamos à «apostasia». Os homens, com efeito, apostataram da verdadeira fé. Uns proclamam a identidade do Pai e do Filho. Outros ousam afirmar que se deve crer que Cristo veio a existir a partir do não-ser. Antigamente os hereges eram bem evidentes, mas agora a Igreja está cheia de hereges mascarados. Pois os homens desertaram da verdade e querem ter os ouvidos comprazidos. Apresenta-lhes um argumento plausível, e todos estarão prontos a ouvir-te. Fala em mudar de vida, e todos te desertarão. A maioria apostatou das sãs doutrinas e está mais disposta a escolher o mal do que a preferir o bem. Eis, pois, a «apostasia», e em seguida se há de esperar a vinda do inimigo. Entrementes, ele já começou a enviar seus precursores aqui e ali, para que lhe seja preparado o despojo quando vier. Portanto, irmãos, olhai por vós mesmos. Vigiai cuidadosamente sobre as vossas almas.
a ponto de sentar-se no templo de Deus refere-se ao Templo dos judeus, que foi destruído. Pois, se o Anticristo vier aos judeus como Cristo e desejar ser adorado por eles, dará grande importância ao Templo, a fim de mais completamente enganá-los, fazendo-os supor que ele é o homem da linhagem de Davi, que há de reedificar o Templo outrora erigido por Salomão.
O Anticristo há pouco mencionado por Paulo virá quando o período destinado ao Império Romano houver percorrido o seu curso e se aproximar o fim subsequente do mundo. Levantar-se-ão simultaneamente dez pretendentes ao império, suponho que em diferentes partes, mas todos vestindo a púrpura ao mesmo tempo. O Anticristo formará um décimo primeiro depois deles, tendo usurpado o poder imperial pelo uso de artes mágicas. Ele humilhará três daqueles que chegaram ao poder antes dele e fará com que os sete restantes sejam Césares sob o seu domínio. No início, fingirá mansidão e parecerá homem douto e sensato, com prudência e bondade simuladas. Depois seduzirá os judeus, fazendo-os supor que ele é o Messias que esperam, mediante sinais e prodígios falsos, produzidos por embuste mágico. E, após isso, o seu caráter se manifestará amplamente em obras malignas de desumanidade e iniquidade de toda espécie, de modo a exceder todos os homens ímpios e sem Deus que o precederam. Manifestará um temperamento assassino, absolutíssimo, sem piedade e instável para com todos os homens, mas especialmente para conosco, os cristãos. Agirá com insolência apenas por três anos e meio. Então será derrotado pela segunda vinda gloriosa, desde os céus, do unigênito Filho de Deus, nosso Senhor e Salvador Jesus, o verdadeiro Cristo, que destruirá o Anticristo "com o espírito da sua boca" e o entregará às chamas do inferno.
"E cuja vinda é segundo a operação de Satanás, com toda potência, e sinais, e prodígios de mentira." Isto significa que Satanás o usará como seu instrumento pessoal. Percebendo que sua própria condenação já não será mais adiada, ele não mais fará guerra por meio de seus ministros do modo costumeiro, mas agora abertamente, em pessoa. "Com todos os sinais e prodígios de mentira," pois o pai da falsidade exibirá suas obras mentirosas e enganosas fantasias, para fazer o povo pensar que vê um morto ressuscitado, quando não é ressuscitado, e o coxo andar, e o cego receber a vista, quando não houve tais curas.
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Ao aprender e professar a fé, abraçai e guardai somente aquilo que agora vos é entregue pela Igreja e confirmado por todas as Escrituras. Pois, uma vez que nem todos possuem a instrução e o tempo livre necessários para ler e conhecer as Escrituras, a fim de que a alma não pereça por ignorância, resumimos toda a doutrina da fé em poucas linhas.... Por ora, ouvi apenas e memorizai o credo tal como o recito, e recebereis em seu devido tempo o testemunho das Escrituras para cada uma de suas proposições. Pois os artigos da fé não foram compostos para agradar ao desejo humano, mas os pontos mais importantes, colhidos das Escrituras, compõem um único e completo ensinamento da fé. E assim como o grão de mostarda, em uma pequena semente, contém em germe muitos ramos futuros, assim também o credo abraça em poucas palavras todo o conhecimento religioso, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Atentai, pois, irmãos, e apegai-vos aos ensinamentos que agora vos são entregues, e "escrevei-os na tábua do vosso coração."
e encheu toda a casa onde estavam assentados: pois a casa se fez vaso da água espiritual; estando os discípulos assentados dentro, encheu-se toda a casa.
E apareceram-lhes línguas separadas: assim foram eles inteiramente batizados, segundo a promessa, e revestidos, na alma e no corpo, de uma veste divina de salvação. Participaram do fogo, não fogo que abrasa, mas fogo que salva; fogo que consome os espinhos dos pecados, mas confere lustre à alma.
E começaram a falar em várias línguas: o galileu Pedro, ou André, falava persa ou meda. João e os demais Apóstolos falavam toda língua aos de origem gentia; o Espírito Santo lhes ensinou, de uma só vez, muitas línguas, línguas que em toda a sua vida jamais haviam conhecido. Isto é, em verdade, vasta sabedoria; isto é poder divino. Que contraste entre sua longa ignorância no tempo passado e o súbito, completo, variado e insólito exercício destas línguas!
sobre toda carne: Isto sugere não apenas os da circuncisão, mas todos aqueles, sem distinção, que são chamados pela fé, sejam pagãos em seu erro, sejam pequenos ou grandes, escravos ou livres, bárbaros ou citas;
vossos filhos e vossas filhas profetizarão: implicando nisto a liberalidade da graça e sua aplicação igual a todos; o sexo feminino não seria rejeitado por Deus se cumprisse com zelo o que Lhe apraz e optasse por essa disposição, nem ficaria sem parte na recompensa e na santificação se se mostrasse louvável na fé e na bondade de suas ações.
e vossos anciãos: a meu ver, significando por "ancião" a preeminência e a primazia que provêm da qualidade da virtude, madura, por assim dizer, com esplêndidos feitos, e distinta e admirável pelo pensamento amadurecido.
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Pois confessamos que em Cristo, nosso Salvador, a unção foi realizada, não, contudo, figuradamente (como outrora nos reis, mediante o óleo), nem como que por graça profética, mas o Salvador, enquanto homem, em forma de servo, foi ungido pelo Espírito Santo; ao passo que, como Deus, Ele mesmo, por Seu Espírito Santo, unge aqueles que n'Ele creem.
e seja batizado cada um de vós em nome de Jesus Cristo: o salutar e santo Batismo basta para a nossa purificação do pecado, e apaga a mácula das quedas anteriores.
Pedro não estava com Ananias e Safira quando estes venderam as suas posses, mas estava presente pelo Espírito.
Portanto, Cristo é o Filho Unigênito de Deus e Criador do Mundo, pois “estava Ele no mundo, e o mundo foi feito por meio dele”, e “veio para o que era seu”, como o Evangelho nos ensina. Mas Cristo é o Criador, por mandado do Pai, não somente das coisas visíveis, mas também das invisíveis. Pois, segundo o apóstolo: “Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele, e Ele é antes de todas as criaturas, e nele todas as coisas subsistem.” Ainda que menciones os mundos, Jesus Cristo, por mandado do Pai, é também Criador destes.
O Salvador suportou tudo isto, "fazendo a paz pelo sangue da cruz, para todas as coisas, quer nos céus, quer na terra." Pois éramos inimigos de Deus por causa do pecado, e Deus decretara a morte do pecador. Era necessária, pois, uma de duas coisas: ou que Deus, em sua verdade, destruísse todos os homens, ou que, em sua benignidade, remitisse a sentença. Mas vede a sabedoria de Deus: Ele preservou a verdade de sua sentença e o exercício de sua benignidade. Cristo tomou os nossos pecados "em seu corpo sobre o madeiro; para que nós, mortos ao pecado," por sua morte "vivêssemos para a justiça." Não foi de pouco valor Aquele que morreu por nós; não era um cordeiro material; não era um mero homem. Era mais que um anjo, era Deus feito homem. A iniquidade dos pecadores não foi tão grande quanto a justiça daquele que por eles morreu. Os pecados que cometemos não foram tão grandes quanto a justiça que operou aquele que entregou sua vida por nós. Ele a entregou quando quis, e a retomou quando quis.
A verdadeira religião consiste nestes dois elementos: piedosos dogmas e ações virtuosas. Nem Deus aceita dogmas separados das obras, nem as obras, quando divorciadas de piedosa doutrina, são aceitas por Deus... O conhecimento dos dogmas é preciosa posse. Há necessidade de uma alma vigilante, pois muitos há que vos enganariam por meio da filosofia e vã sedução.
Não nos envergonhemos de confessar o Crucificado. Faça-se ousadamente com os dedos, sobre a nossa fronte, o sinal da cruz, como nosso selo, e em todas as ocasiões; sobre o pão que comemos, sobre os cálices que bebemos; em nossas idas e em nossas vindas; antes do sono; ao deitar-nos e ao levantar-nos; quando estamos a caminho e quando estamos parados. É uma poderosa salvaguarda; é sem preço, por amor dos pobres; sem labor, por causa dos enfermos; pois é uma graça de Deus, insígnia dos fiéis e terror para os demônios; pois "os expôs abertamente, levando-os cativos em triunfo por meio dela." Pois, quando veem a cruz, lembram-se do Crucificado.
Mas, ao honrarmos o nosso Pai celestial, honremos também os "pais da nossa carne", visto que o Senhor, na Lei e nos Profetas, claramente estabeleceu isto, dizendo: "Honra a tua mãe e a teu pai, para que te vá bem, e para que tenhas longa vida sobre a terra." Que os presentes que têm mães e pais atentem a este preceito. "Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, pois isto é agradável ao Senhor." Pois o nosso Senhor não disse: "Aquele que ama pai ou mãe não é digno de mim" — do contrário, poderíeis interpretar falsamente, por ignorância, o que foi bem escrito — mas acrescentou "mais do que a mim."
Pois, uma vez que os filhos são participantes da carne e do sangue, também Ele mesmo, semelhantemente, participou do mesmo (Hb 2.14), para que, feitos partícipes de Sua presença na carne, fôssemos feitos também partícipes de Sua graça divina: assim Jesus foi batizado, para que, por essa participação, recebêssemos novamente tanto a salvação quanto a honra. Segundo Jó, havia nas águas o dragão que sorve o Jordão para dentro de sua boca (Jó 40.23). Sendo, pois, necessário esmigalhar as cabeças do dragão (Sl 74.14), Ele desceu e amarrou o forte nas águas, para que recebêssemos poder de pisar serpentes e escorpiões (Lc 10.19). A besta era grande e terrível. Nenhum barco de pesca era capaz de carregar uma só escama de sua cauda (Jó 40.26): a destruição corria diante dele (Jó 41.13), devastando tudo quanto encontrava. A Vida saiu-lhe ao encontro, para que a boca da Morte fosse doravante tapada, e todos nós, os que somos salvos, pudéssemos dizer: Ó morte, onde está o teu aguilhão? Ó sepulcro, onde está a tua vitória (1 Cor 15.55)? O aguilhão da morte é afogado pelo Batismo.
O semblante pavoroso do Juiz vos constrangerá a confessar a verdade. Ainda que guardásseis silêncio, Ele vos convenceria. Haveis de ressuscitar revestidos, ou dos vossos pecados, ou das vossas obras justas. O próprio Juiz assim o declarou.
O sentido de Paulo é que, embora Moisés fosse homem justo e admirável, a sentença de morte promulgada sobre Adão alcançou também a ele, e igualmente aos que vieram depois, ainda que nem ele nem eles tivessem reproduzido o pecado de Adão, comendo desobedientemente da árvore.
Assim como Jesus morreu para tirar os pecados do mundo, a fim de que, dando morte ao pecado, pudesse ressuscitar em justiça, assim também, quando desces às águas e és, de certo modo, sepultado na água como Ele o foi na rocha, poderás ressurgir para andar "em novidade de vida".
Quando fostes despidos, fostes ungidos com óleo de oliva exorcizado, desde os cabelos do alto da cabeça até as plantas dos pés, e vos tornastes participantes da boa oliveira, Jesus Cristo. Enxertos da oliveira brava, fostes enxertados na oliveira boa e vos tornastes participantes da riqueza da verdadeira oliveira.
Paulo instruiu a imperial Roma e estendeu o zelo de sua pregação até mesmo à Espanha, sustentando inúmeros combates e realizando sinais e prodígios.
Os hereges fazem isso revestindo suas pílulas de veneno — as doutrinas ímpias — com o mel do nome de Cristo.
Abraão foi justificado não pelas obras, mas pela fé. Pois, embora houvesse feito muitas boas ações, não foi chamado amigo de Deus até que creu, e cada uma de suas obras foi aperfeiçoada pela fé.
Aquele que, em fé, honra o Deus e soberano de todas as coisas tem a justiça por recompensa.
Pois Paulo também nos mostrou que há estas duas vindas, em sua epístola a Tito, onde diz: "A graça de Deus, nosso Salvador, apareceu a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos sóbria, justa e piamente neste presente século; aguardando aquela bem-aventurada esperança e o glorioso aparecimento do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo." Observai como ele reconhece com ação de graças a primeira vinda e como aguardamos uma segunda…. Assim, nosso Senhor Jesus Cristo vem do céu e vem com glória no último dia para levar este mundo ao seu término.