São Epifânio de Salamina
Voz da tradição patrística presente na Catena Aurea (séc. IV). Biografia em preparação.
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Dizem, porém, os seguidores de Ebião e Cerinto: "Basta ao discípulo que seja como seu mestre; mas Cristo circuncidou-se, portanto, tu também deves circuncidar-te". Mas enganam-se, destruindo seus próprios princípios. Pois se Ebião confessasse que Cristo, Deus que desceu do céu, foi circuncidado no oitavo dia, então haveria fundamento para argumentar a favor da circuncisão; mas como afirma que Ele é apenas um homem, certamente como menino não pode ser causa de sua própria circuncisão, assim como os infantes não são os autores de sua circuncisão. Nós, porém, confessamos que o próprio Deus desceu do céu e permaneceu no claustro virginal pelo tempo necessário para a gestação, até que formasse perfeitamente para Si mesmo, do útero virginal, a carne da humanidade, na qual foi circuncidado verdadeiramente, não apenas em aparência, no oitavo dia. Mas havendo as figuras chegado ao seu efeito espiritual, tanto por Ele como por seus discípulos, já não se devem propagar as figuras, mas a verdade.
Cristo foi circuncidado por vários motivos. Primeiramente, para mostrar a verdade de sua carne, em oposição a Maniqueu e àqueles que dizem que Ele apareceu apenas em aparência. Em segundo lugar, para provar que Seu corpo não era de nenhum modo consubstancial à divindade, conforme afirma Apolinar, nem desceu do céu, como Valentino asseverou. Em terceiro lugar, para confirmar a circuncisão, que Ele havia instituído antigamente para aguardar a Sua vinda. Finalmente, para não deixar nenhuma desculpa aos judeus. Pois se Ele não tivesse sido circuncidado, poderiam objetar que não podiam receber a Cristo incircunciso.
Atente também Ebion, que aos doze anos, e não aos trinta anos, Cristo foi encontrado surpreendente em discursos de graça. Pelo que não se deve dizer que depois que o Espírito veio sobre Ele no Batismo, foi feito Cristo; mas desde a própria infância reconheceu o templo e o pai.
Portanto, no dia de sábado, foram vistos passando pelas plantações e comendo espigas, mostrando que o vínculo do sábado foi dissolvido, quando veio o grande sábado, isto é, Cristo, que nos fez descansar da obra de nossos delitos.
O Evangelho editado por Marcion tem: "Eucharisto", isto é, "Eu te dou graças, Senhor do céu", omitindo o que é dito "pai", e o que é dito "e da terra", para que não pareça que Cristo tem como seu pai o criador do céu e da terra. Entretanto, é refutado, porque logo depois tem: "assim, pai".
Por isso poderia ser refutada a loucura dos ebionitas sobre o consumo da carne, vendo que o Senhor comia a Páscoa dos judeus; por isso disse expressamente "esta Páscoa", para que ninguém pudesse pervertê-la para significar outra.