séc. IV–VSeveriano de Gábala

Severiano de Gábala

Bispo de Gábala

Severiano (m. depois de 408), bispo de Gábala na Síria, pregador eloquente e contemporâneo de Crisóstomo na corte de Constantinopla. Suas homilias exegéticas, atentas ao sentido literal e à aplicação moral, foram preservadas em parte por terem circulado sob o nome do próprio Crisóstomo.

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Evangelho de São Marcos 16, 1–8

Vêem também um jovem sentado à direita, porque a ressurreição não tem nada de sinistro. Vêem também coberto com uma veste branca. Esta veste não é de lã mortal, mas de virtude vital, resplandecente com luz celestial, não de cor terrena, como diz o profeta: "Vestido de luz como de um manto"(Salmos 103,2); e sobre os justos, São Mateus diz: "Então os justos resplandecerão como o sol"(São Mateus 13,43).

Evangelho de São Marcos 16, 9–13

Maria anuncia; mas já não como mulher, mas representando a Igreja: de modo que, assim como antes como mulher se calava, aqui na Igreja tanto anuncia quanto fala. Segue-se "e eles, ouvindo que ele vivia e tinha sido visto por ela, não acreditaram".

Evangelho de São Mateus 1, 19

Como seu esposo, também lhe é advertido que não tema; pois a mente que tem compaixão tem mais temor; como se dissesse: aqui não há causa de morte, mas de vida; aquela que traz à luz a vida, não merece a morte.

Evangelho de São Mateus 1, 20

Venham e ouçam aqueles que perguntam: quem é aquele que Maria gerou? Ele mesmo salvará o seu povo, não salvará o povo de outrem. De quê? Dos seus pecados. Que é Deus quem perdoa os pecados, se não creres nos cristãos que assim o afirmam, crê nos infiéis, ou nos judeus que dizem: ninguém pode perdoar pecados senão só Deus(São Lucas 5,1).

Evangelho de São Mateus 8, 5–9

Misticamente, este teto é o corpo que cobre a alma, e que encerra em si a liberdade da mente com a visão celeste. Mas Deus não se desdenha nem de habitar a carne, nem de entrar sob o teto do nosso corpo.

Evangelho de São Mateus 28, 1–7

Não disse: volveu, mas revolveu a pedra: porque a pedra advolta comprovou a morte, e ao ser revolvida manifestou-se como testemunha da ressurreição. Muda-se aqui a ordem das coisas: o sepulcro devora a morte, não o morto; a casa da morte torna-se morada vital; o útero de nova forma recebe o morto, devolve-o vivo. Segue-se e estava sentado sobre ela; sentado, digo, aquele a quem nenhum cansaço afetava, como doutor da fé, como mestre da ressurreição; sentava-se sobre a pedra, para que a solidez daquele que se sentava desse firmeza aos crentes; o Anjo colocava sobre a pedra os fundamentos da fé, sobre a qual Cristo haveria de fundar a sua Igreja. Ou pela pedra do sepulcro pode-se designar a morte, pela qual todos eram oprimidos: pelo fato, pois, de o Anjo sentar-se sobre a pedra, significa-se que Cristo submeteu a morte por sua virtude.

Evangelho de São Mateus 28, 8–10

Nestas mulheres, porém, permanece evidentemente manifesta a figura da Igreja: porque Cristo repreende seus discípulos quando tremem acerca da ressurreição; mas, encontrando-se com estas, não as atemoriza com seu poder, mas se antecipa com o ardor da caridade: porque Cristo na Igreja saúda a si mesmo, pois a recebeu em seu próprio corpo.

Evangelho de São Mateus 28, 11–15

De fato, não se contentaram em matar o Mestre; mas também tramam como poderiam exterminar os discípulos; e fazem parecer como crime dos discípulos aquilo que é o poder do Mestre. Claramente, os soldados o perderam, os judeus o perderam; mas os discípulos não carregaram seu Mestre por meio de furto, mas por fé; por virtude, não por fraude; por santidade, não por crime; vivo, não morto.