Zacarias
1Abre, ó Líbano, as tuas portas, e devore o fogo os teus cedros.
2Lamenta-te, cipreste, porque os cedros caíram, porque as (árvores) magníficas foram destruídas; gemei, carvalhos de Basan, porque o espesso bosque foi cortado.
3Ouve-se a lamentação dos pastores (ou chefes), porque a sua grandeza foi destruída; ouvem-se os rugidos dos leões, porque a soberba do Jordão foi aniquilada.
4Isto diz o Senhor meu Deus: Apascenta estas ovelhas destinadas para o matadouro,
5as quais os seus donos matam sem se compadecerem delas, cujos vendedores dizem; Bem-dito seja o Senhor, que estou rico! — sem que os seus próprios pastores tenham compaixão delas.
6Eu, pois, não perdoarei mais aos habitantes desta terra, diz o Senhor; entregarei os homens uns aos outros, e nas mãos do seu rei; arruinarão o país, e não livrarei ninguém da sua mão.
7Então pus-me a apascentar as ovelhas destinadas ao matadouro para os mercadores.Então (diz: o profeta) tomei dois cajados, a um dos quais chamei Graça, e a outro União, e levei o rebanho a pastar.
8Suprimi três pastores num mês. Depois perdi a paciência com as ovelhas, e também elas se aborreceram de mim.
9Eu disse: Não vos apascentarei mais; o que morre, morra; o que se corta, corte-se; e os que escaparam, que se devorem uns aos outros.
10Eu então tomei o cajado que se chamava Graça, e quebrei-o para assim desfazer a aliança que tinha feito com todos os povos.
11Ficou quebrado naquele dia, e os mercadores do rebanho, que me observavam, reconheceram assim que isto era palavra do Senhor.
12Eu disse-lhes: Se vos parece bem, dai-me o salário que me é devido (já que não me quereis por pastor); se não, guardai-o. Então pagaram-me pelo meu salário trinta moedas de prata.
13O Senhor disse-me: Arroja ao oleiro esse dinheiro, essa bela soma pela qual me apreciaram. Tomei as trinta moedas de prata e lancei-as na casa do Senhor para o oleiro.
14Depois quebrei o meu segundo cajado que se chamava União, para dissolver a fraternidade entre Judá e Israel.
15O Senhor disse-me: Aparelha-te agora como um pastor insensato.
16Com efeito, eis que vou suscitar na terra um pastor que não visitará as ovelhas abandonadas, que não buscará as que se desgarram, que não curará a doente, que não sustentará a sã, mas que comerá a carne das gordas e quebrará as suas unhas.
17Ai do mau pastor, que abandona o rebanho! Que a espada caia sobre o seu braço e sobre o seu olho direito! Que se seque o seu braço e que o seu olho direito seja coberto de trevas.