Unidade 6.7Permanecei no meu amor
João 15 · Leitura 3 · Catena Aurea

Permanecei no meu amor

Palavra

8Nisto é glorificado meu Pai, em que vós deis muito fruto e sejais meus discípulos.

9Como o Pai me amou, assim eu vos amei. Permanecei no meu amor,

10Se observardes os meus preceitos, permanecereis no meu amor, como eu observei os preceitos de meu Pai, e permaneço no seu amor.

11Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós, e para que a vossa alegria seja completa.

Evangelho de São João 15, 8–11 — ler o capítulo inteiro ›

Convite à leitura

'Como o Pai me amou, assim eu vos amei.' Está dito o mais alto que se pode dizer: o amor com que somos amados é o mesmo amor eterno do Pai pelo Filho — não uma versão reduzida, adaptada à nossa pequenez. E permanecer nesse amor tem um caminho concreto: guardar os mandamentos. Os Padres não deixam romantizar: amor, no Evangelho, não é sentimento que vem e vai — é fidelidade que permanece. E o objetivo final Cristo mesmo declara: 'para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa'. Tudo isto — o plano inteiro, a conversão, a poda, a permanência — desemboca em alegria.

Vozes dos Padres

São João Crisóstomo
séc. IV

O Senhor mostrou acima que aqueles que lhes armavam ciladas arderiam, não permanecendo em Cristo; depois, mostrando que eles próprios seriam inexpugnáveis, de tal modo que produziriam muito fruto, diz: "Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto"; como se dissesse: se para a glória do Pai pertence que vós frutifiqueis, Ele não desprezará a Sua própria glória. E aquele que produz fruto, este é discípulo de Cristo; por isso acrescenta: "e vos torneis meus discípulos".

Santo Agostinho
séc. IV–V

Quer se diga clarificado, quer se diga glorificado, ambas as traduções derivam de uma única palavra grega. Pois doxa em grego corresponde a gloria em latim. Julguei necessário lembrar isso para que não atribuamos esta glória a nós mesmos, como se a tivéssemos por nós próprios: é graça d'Ele; e, portanto, nisto a glória não é nossa, mas d'Ele. Pois de quem receberíamos o fruto senão daquele cuja misericórdia nos prevenisse? Por isso acrescenta: "Como o Pai me amou, eu também vos amei". Eis de onde provêm nossas boas obras; pois de onde nos viriam, senão porque a fé opera pela caridade? E como amaríamos se não fôssemos amados primeiro? Quando ele diz: "Como o Pai me amou, eu também vos amei", não mostra igualdade de natureza entre a nossa e a sua, como há entre a do Pai e a dele; mas a graça, pela qual é mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus. Mostra-se realmente como mediador quando diz: "O Pai me amou, e eu vos amei"; pois certamente o Pai também nos ama, mas nele.

Teofilacto de Bulgária
séc. XI

Os frutos dos apóstolos são as nações que, por meio de sua doutrina, foram vinculadas à fé e também reduzidas à glória de Deus.

Alcuíno de York
séc. VIII

Que preceitos ele disse, o Apóstolo explica dizendo: "Cristo se fez obediente ao Pai até a morte, e morte de cruz"(Filipenses 2,8).

Para a sua oração

Você sabe — não como doutrina, mas como certeza vivida — que é amado com o mesmo amor com que o Pai ama o Filho? E o que muda na sua obediência quando ela deixa de ser dever e passa a ser permanência no amor?

Oração

Senhor Jesus, que me amas com o mesmo amor com que és amado pelo Pai: guarda-me nesse amor. Que a minha fidelidade não seja peso, mas morada; não seja medo, mas permanência. E que a tua alegria esteja em mim — completa, como prometeste. Amém.

Desafio

Desafio final do plano: escreva uma carta curta a você mesmo, para ler daqui a um ano, respondendo a três perguntas: o que este caminho pelos Evangelhos com os Padres mudou em mim? Que mandamento decidi guardar com mais fidelidade? Onde quero estar, na permanência em Cristo, quando reler isto? Guarde a carta (o aplicativo pode lembrá-lo na data). E então escolha o próximo passo do caminho — porque permanência não termina; continua.