Eclesiástico (Siracida)
1Por causa da pobreza muitos delinquiram; aquele que procura enriquecer-se afasta os olhos.
2Como se finca um pau no meio da juntura de duas pedras, assim também se introduzirá o pecado entre a venda e a compra.
3O delito será destruído com o delinquente.
4Se te não mantiveres firmemente no temor do Senhor, depressa a tua casa será arruinada.
5Como quando se abana o crivo apenas ficam as alimpas, assim a perplexidade do homem fica no seu pensamento.
6O forno prova os vasos do oleiro, e a prova dá tribulação, os homens justos.
7Como o cuidado que se tem da árvore se dá a conhecer no fruto, assim a palavra manifesta o que vai no coração do homem.
8Não louves um homem antes de ele falar, porque esta é a prova dos homens.
9Se fores atrás da justiça, alcançá-la-ás, dela te revestirás como duma vestidura talar de glória; com ela habitarás, ela te protegerá para sempre, e no dia do juízo acharás nela apoio.
10As aves chegam-se para os seus semelhantes; assim a verdade volta para aqueles que a praticam.
11O leão está sempre à espreita da presa; assim os pecados armam laços aos que praticam a iniquidade.
12O homem santo persevera na sabedoria como o Sol; o insensato, porém, muda como a lua.
13No meio dos insensatos guarda a palavra para outro tempo; (evita-os e) permanece, antes, de continuo entre os que pensam (bem).
14A conversação dos pecadores é odiosa, e o seu riso é nas delicias do pecado.
15O discurso do que muito jura fará arripiar os cabelos da cabeça, e a sua irreverência fará tapar os ouvidos.
16Na bulha dos soberbos há efusão de sangue; é penoso ouvir as suas maldições.
17Aquele que descobre os segredos do amigo, perde o crédito e não encontrará mais um amigo a seu gosto.
18Ama o teu próximo e sê leal na amizade com ele.
19Se descobrires os seus segredos, não o voltarás a ganhar.
20Como um homem que mata o seu amigo, assim é o que destrói a amizade do seu próximo.
21Como aquele que deixa ir da sua mão o pássaro. assim tu deixaste ir o teu próximo, e não o conciliarás mais.
22Não o sigas, porque já está muito distante; fugiu do laço como uma gazela. Porque foi ferida a sua alma,
23não poderás mais atraí-lo a ti. Depois duma injúria há reconciliação;
24mas o revelar os segredos do amigo tira toda a esperança a uma alma infeliz.
25O que pisca os olhos forja maus desígnios, e ninguém o pode afastar de si.
26Na tua presença falará com doçura, admirará o que tu disseres, mas depois mudará de linguagem e armará laços às tuas palavras.
27Muitas coisas aborreço, mas nenhuma como um tal homem; o Senhor o aborrece também.
28Quando alguém lança uma pedra ao alto, ela cairá sobre a sua cabeça; assim a ferida traiçoeira abrirá feridas no traidor.
29O que abre a cova, cairá nela; o que põe uma pedra no caminho para tropeço do próximo, tropeçará nela; o que arma um laço a outrem, nele perecerá.
30O desígnio perverso recairá sobre o que o forja, que não saberá donde lhe vem o mal.
31O escárnio e o ultraje são próprios dos soberbos, e a vingança, como um leão, armar-lhe-á ciladas.
32Aqueles que se alegram com a queda dos justos, perecerão no laço, e a dor os consumirá antes da sua morte.
33A ira e o furor são duas coisas execráveis; o pecador as terá em si mesmo.