Unidade 2.4Faltando o vinho
João 2 · Leitura 1 · Catena Aurea

Faltando o vinho

Palavra

1Três dias depois, celebraram-se umas bodas em Caná da Galileia, e encontrava-se lá a Mãe de Jesus.

2Foi também convidado Jesus com seus discípulos para as bodas.

3Faltando o vinho, a Mãe de Jesus disse-lhe; "Não têm vinho."

4Jesus respondeu-lhe: "Mulher, que nos importa a mim e a ti isso? Ainda não chegou a minha hora."

Evangelho de São João 2, 1–4 — ler o capítulo inteiro ›

Convite à leitura

Numa festa de casamento, o vinho acaba. A mãe de Jesus percebe — antes de todos — e apresenta a falta ao Filho: 'Não têm vinho'. Ela não instrui, não exige; constata e confia. A resposta de Jesus soa dura na superfície, mas guarda o segredo de toda a sua missão: a sua 'hora' — a hora da cruz e da glória — ainda não chegou. E no entanto, diante da necessidade concreta de pessoas comuns, essa hora se antecipa em sinal. Deus não é indiferente às faltas humanas — nem às pequenas.

Vozes dos Padres

São João Crisóstomo
séc. IV

Convidam o Senhor para as núpcias, não como alguém magnificente, mas simplesmente como um conhecido, e um dentre muitos: de onde o Evangelista, declarando isto, diz e estava ali a mãe de Jesus: assim como haviam chamado a mãe, assim também ao filho; de onde se segue foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as núpcias: e compareceu; nem, de fato, olhava para a sua dignidade, mas para o nosso benefício. Pois Aquele que não se dignou a assumir a forma de servo, não se dignou a vir às núpcias dos servos.

Alcuíno de York
séc. VIII

Significa também, neste lugar, a sinagoga que provoca Cristo a fazer um milagre: pois é familiar aos judeus buscar milagros. Segue-se e diz-lhe Jesus: Que tenho eu contigo, mulher?

Beda, o Venerável
séc. VII–VIII

Que também se dignou vir às núpcias, segundo a letra, confirma a fé dos que creem retamente. Além disso, insinua quão condenável é a perfídia de Taciano e Marcião, e dos demais que desprezam as núpcias. Pois se houvesse culpa no leito imaculado e nas núpcias celebradas com a devida castidade, de modo algum o Senhor teria querido comparecer a elas. Agora, porém, como boa é a castidade conjugal, melhor a continência das viúvas, e ótima a perfeição virginal, para aprovar a escolha de todos os graus, mas distinguindo o mérito de cada um, dignou-se nascer do ventre intacto da Virgem Maria; logo após nascer, foi abençoado pela boca profética da viúva Ana; e já jovem, convidado pelos celebrantes das núpcias, honra-as com a presença de sua virtude.

Santo Agostinho
séc. IV–V

Alguns, menosprezando o Evangelho e dizendo que Jesus não nasceu da Virgem Maria, tentam daqui tirar argumento para seu erro, a fim de dizerem: como poderia ser mãe dele aquela a quem disse "que tenho eu contigo, mulher?" Mas quem narrou isto, para que acreditemos que o Senhor disse tal coisa? Certamente João Evangelista. Mas ele mesmo disse: "e estava ali a mãe de Jesus". Por qual motivo, senão porque ambas as coisas são verdadeiras? Mas, porventura, veio Ele às núpcias para ensinar a desprezar as mães?

Para a sua oração

Onde falta vinho na sua vida — a alegria, a esperança, a graça que você achava que tinha? Você apresenta essas faltas a Cristo com a confiança simples de quem diz 'não têm vinho', ou insiste em resolver tudo sozinho antes de orar?

Oração

Senhor Jesus, que em Caná transformaste a falta em abundância: eu te apresento hoje, com simplicidade, aquilo que acabou em mim. Não te digo como resolver; digo apenas que falta. Faze conforme a tua sabedoria e a tua hora — e dá-me a confiança de quem sabe que tu não ignoras necessidade alguma. Amém.

Desafio

Faça hoje uma 'oração de constatação': apresente a Deus uma necessidade sua (ou de alguém) em uma única frase, sem instruções, sem prazos, sem sugestões de solução — apenas 'Senhor, falta isto'. Depois, resista durante o dia à ansiedade de 'ajudar Deus' a resolver. Confiar também é uma prática.