Bendito o Rei que vem em nome do Senhor
Palavra
37Quando já ia chegando à descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos seus discípulos começou alegremente a louvar a Deus em altas vozes por todas as maravilhas que tinham visto.
38dizendo: "Bendito o rei que vem em nome do Senhor! (Sl 117, 26). Paz no céu e gloria nas alturas!"
39Então alguns dos fariseus que se achavam entre o povo, disseram-lhe: "Mestre, repreende os teus discípulos."
40Mas ele respondeu-lhes: "Digo-vos que, se eles se calarem, clamarão as mesmas pedras."
Convite à leitura
A multidão dos discípulos louva a Deus em alta voz por todas as maravilhas que viu. Os fariseus pedem silêncio. E Cristo responde: se estes se calarem, as pedras clamarão. O louvor não é enfeite da fé — é necessidade da criação. Tudo o que existe foi feito para bendizer; quando o ser humano se cala por vergonha ou cálculo, até a pedra o substitui. A boca foi feita para isto.
Vozes dos Padres
Quando também nós nos calamos, isto é, quando se esfria a caridade de muitos, as pedras clamam: pois Deus pode suscitar das pedras filhos para Abraão. E com razão lemos que as multidões que louvavam a Deus encontraram-no na descida do monte, para significar que o realizador do mistério espiritual tinha vindo a eles do céu.
Isto é, a guerra antiga, pela qual éramos adversários de Deus, desvaneceu-se. E glória nas alturas, ou seja, os Anjos louvando a Deus por tal reconciliação; pois o próprio fato de que Deus visivelmente caminha no território de seus inimigos significa que Ele tem concórdia conosco. Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam, porque a multidão o chamava de rei e o louvava como Deus; atribuindo o nome de rei à sedição, e o nome de senhor à blasfêmia; por isso segue: e alguns dos fariseus dentre a multidão disseram-lhe: Mestre, repreende os teus discípulos.
Eles haviam visto muitas virtudes do Senhor, mas admiravam-se especialmente da ressurreição de Lázaro; pois, como diz São João: por isso a multidão veio ao seu encontro, porque ouviram que Ele havia realizado este sinal. Deve-se observar que não era esta a primeira vez que o Salvador ia a Jerusalém, mas havia ido muitas vezes antes, como São João comemora.
Nem é surpreendente que as pedras, contra sua natureza, respondam com louvores ao Senhor, a quem seus algozes, mais duros que as rochas, proclamam em alta voz, isto é, a multidão que, em breve, haveria de crucificar a Deus, negando-O em seus corações enquanto O confessam com suas bocas; ou talvez seja dito porque, quando os judeus foram silenciados após a Paixão do Senhor, as pedras vivas, como São Pedro as chama, estavam prontas a clamar.
Mas o Senhor não repreendeu os que o glorificavam como Deus, mas antes reprimiu os que os repreendiam, dando assim testemunho acerca da glória de sua divindade; por isso segue: aos quais ele disse: Digo-vos que se estes se calarem, as pedras clamarão.
Para a sua oração
A sua boca tem bendito a Deus — em público, diante de quem pode estranhar? Ou você tem terceirizado às pedras o louvor que era seu? Quando foi a última vez que alguém soube da sua fé pela sua alegria, e não por acaso?
Oração
Senhor Jesus, Rei que entraste em Jerusalém aclamado pelos pequenos: que eu não me junte aos que pedem silêncio. Abre os meus lábios para te louvar sem vergonha, mesmo quando o ambiente sugerir que é hora de calar. Que o meu louvor chegue antes do das pedras. Amém.
Desafio
Hoje, expresse gratidão a Deus em voz alta diante de pelo menos uma pessoa — de forma natural, sem sermão: um 'graças a Deus' dito com peso real, uma menção honesta de algo que Ele fez por você. Louvor público começa pequeno. Note o que você sente antes de falar: essa resistência tem nome, e conhecê-la já é vitória.