Eu sou a videira verdadeira
Palavra
1Eu sou a verdadeira vide, e meu Pai é o vinhateiro.
2Toda a vara que não dá fruto em mim, ele a cortará; e toda a que der fruto, podá-la-á, para que dê mais abundante fruto.
3Vós já estais puros em virtude da palavra que vos anunciei.
Convite à leitura
Cristo é a videira; o Pai é o agricultor. E todo ramo que dá fruto é podado — para dar mais fruto ainda. Os Padres se detêm nessa poda: ela dói, mas é cuidado. O que Deus retira de você não é necessariamente castigo — pode ser a tesoura do agricultor preparando uma colheita que você ainda não vê. Quem entende isso atravessa as perdas de outro jeito: ainda doendo, mas sem desespero.
Vozes dos Padres
Apressando-se para consumar o sacramento de sua paixão corporal pelo amor de cumprir o mandato paterno, levanta-se; no entanto, logo revelando o mistério de sua assunção corpórea, pela qual nós estaríamos nele como os ramos na videira, acrescentou: "Eu sou a videira verdadeira".
Ele diz isto por ser a cabeça da Igreja, da qual nós somos os membros, o homem Cristo Jesus. Com efeito, a videira e os ramos são de uma mesma natureza. Mas quando Ele diz "Eu sou a videira verdadeira", por acaso, ao acrescentar "verdadeira", não está fazendo referência àquela videira de onde esta semelhança foi tomada? Assim, Ele é chamado de videira por semelhança, não por propriedade, assim como cordeiro, ovelha e outras coisas semelhantes; de modo que são mais verdadeiras as próprias coisas das quais estas semelhanças são derivadas. Mas ao dizer "Eu sou a videira verdadeira", Ele se distingue daquela a quem foi dito: "Como te converteste em amargura, videira estranha?" Pois, como poderia ser videira verdadeira aquela que, quando se esperava que produzisse uvas, produziu espinhos?
E como também aqueles que são muito virtuosos necessitam do trabalho do agricultor, acrescenta: "e todo aquele que dá fruto, Ele o purificará, para que dê mais fruto". Isto disse por causa das tribulações que então lhes sobrevieram, mostrando que as tentações os fariam mais fortes; assim como o purificar, isto é, podar o ramo, o faz germinar mais.
Para a sua oração
Que poda você tem sofrido ultimamente — que perda, corte ou fechamento de porta? Você a tem recebido como abandono ou consegue, mesmo na dor, suspeitar que o agricultor sabe o que faz?
Oração
Pai santo, agricultor fiel, que podas cada ramo para que dê mais fruto: dá-me docilidade debaixo da tesoura. Que eu não interprete cada perda como abandono, mas como cuidado do teu amor preparando em mim o fruto que ainda não vi. Por Cristo, videira verdadeira. Amém.
Desafio
Nomeie a poda mais recente da sua vida — a perda que ainda dói. Escreva uma oração de duas linhas entregando-a ao agricultor, sem pedir que ele explique, apenas que não desperdice a dor. Se conseguir, dê um passo além: agradeça por um fruto que uma poda antiga produziu e que você só reconheceu depois.